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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Carta aberta dos professores fluminenses

Acabo de receber por e-mail uma carta aberta à população do estado do Rio de Janeiro, assinada pelos professores da rede estadual de ensino.
Na carta os professores esclarecem a questão do aumento do salário que atualmente gira em torno dos R$ 540,00 (líquido) anunciado pelo governo como um grande progresso mas que na verdade é uma desvalorização ainda maior da classe. Nesse parcelamento, muitos professores receberão um aumento de aproximadamente dois reais em 2010!
Com relação à climatização das salas e aos notebooks fornecidos aos professores, grandes peças de propaganda do governo, os professores destacam que além dos gastos com o aluguel dos aparelhos de ar-condicionado, haverá também um aumento nas contas de energia. Em relação aos notebooks, os aparelhos não pertencem aos professores, mas estão cedidos pelo sistema de comodato, podendo ser recolhidos a qualquer momento.
Mas o pior de tudo nesta carta aberta, o mais preocupante, é o dado em relação aos pedidos de exoneração, que chegam à média de 30 pedidos por dia. Inclusive este que vos escreve pediu exoneração dois meses após assumir sua vaga, por não ter condições de trabalhar na escola para a qual a coordenadoria de educação o enviou, afim de guardar as melhores vagas para seus apadrinhados políticos. Não quis participar disso e nem pedir favor a ninguém.
Se o concurso é, pelo menos até agora, a forma mais justa de selecionar profissionais para o serviço público, e se o seu caráter meritocrático contribui para a qualidade dos quadros do funcionalismo, a desistência de muitos pode agravar ainda mais a qualidade do ensino, frustrando qualquer esperança em um ensino público de qualidade.
Uma lástima!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

PROFESSORES EM ALERTA

Caros blogueiros,
Nós, professores do Colégio Estadual José do Patrocínio (CEJOPA), após reunião realizada no dia 09/09/2009, às 10h, nas dependências desta unidade de ensino, decidimos paralisar as atividades na instituição em repúdio às agressões sofridas por profissionais da educação na última terça-feira. A manifestação realizada em frente ao prédio da ALERJ, no Rio de Janeiro, contra o descaso das autoridades em relação à categoria foi reprimida violentamente, deixando 11 professores feridos.
A decisão sobre a paralisação nesta unidade foi tomada pela maioria presente na reunião, e todos os professores se dirigiram às salas de aula com o objetivo de comunicar aos alunos sobre a posição adotada. Buscamos ainda conscientizá-los a respeito do comprometimento de todos, docentes e discentes, na luta por uma educação responsável e de qualidade.
Finalmente, estaremos reunidos amanhã, 11/09, às 7h30min, a fim de apurarmos os resultados deste ato, reafirmando uma posição de alerta contra todas as atitudes que ameacem a construção de um projeto de sociedade livre, justa, ou que não considerem a educação como princípio básico.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lenta incorporação

Finalmente, o Nova Escola será incorporado ao piso dos professores da rede estadual de ensino, no Rio de Janeiro. Porém há protestos pois a medida também discute o fim do programa de cargos e salários, acabando com a hierarquização, nivelando todos os docentes ao piso.
A incorporação desta gratificação, criada no governo dos Garotinhos, que premiava os professores de acordo com a "produtividade" das escolas, é uma luta antiga dos profissionais da educação, e desde maio deste ano se anunciava a possibilidade de o governador Cabral atender a esta questão, que, como lembra o prof. Fábio Siqueira, foi promessa de campanha.
No entanto, não se esperava que ocorresse da forma como se anuncia agora, parcelada a perder de vista, ou seja, tem-se um aumento real de salário, coisa que não se vê há muito tempo para a categoria, porém, este aumento não será sentido pelo trabalhador a curto prazo, mas sim gradualmente.
O professor fluminense tem um dos piores salários do Brasil. Numa comparação é possível notar que o salário do professor corresponde a 0,0002% do PIB estadual, no Rio e em Minas Gerais, junto a São Paulo com 0,0001%. Ou seja, as maiores economias do país são as que mais massacram os profissionais da educação.
Enquanto o professor no Rio tem um piso de R$ 540,65, no Acre o salário é de R$ 1.498,00, num Estado que representa uma das menores economias da Federalção.
Nos estados onde os salários são maiores (mesmo sem comparar com o PIB) há um número maior de docentes na rede pública - pagam mais e contratam mais proporcionalmente. É claro que existem muito mais professores no Rio que no Acre (62.261 no primeiro contra apenas 5.946 no segundo). Mas para se ter uma idéia, no estado de Roraima, segundo maior salário do país, em termos percentuais, o número de professores corresponde a 1% da população do estado, seguido pelo Acre, onde 0,86% da população é de docentes. Na região Sudeste entretanto, o Rio de Janeiro é o estado com o menor número de professores estaduais - e sabemos que o número de contratações é bastante inferior à demanda -, enquanto que em Minas temos 0,65% da população formada por docentes e em São Paulo, 0,56%. Os professores fluminenses são apenas 0,39% da população, e têm que trabalhar bastante, com carga horária reduzida na grade para poder desdobrar-se em várias escolas, em troca do 8º pior salário do país.
Clique na imagem para ampliar

De qualquer forma, devemos considerar uma vitória a incorporação do Nova Escola, porém, não devemos tomar como "a" vitória. Trata-se de um primeiro passo rumo a valorização da profissão docente, que não se baseia apenas em melhores salários, mas no reconhecimento de sua importância para a construção de uma sociedade mais desenvolvida, sustentável, ética e justa, e isso passa também por uma melhor formação e do reconhecimento, por parte dos próprios docentes, do seu papel enquanto trabalhadores intelectuais.