domingo, 28 de dezembro de 2008

Feliz 2009

Esta é uma mensagem de fim de ano que eu gosto muito. Ela foi composta há dez anos, para a virada de 98 para 99, mas tem sido tocada todo final de ano, de maneiras diferentes.
Não, não é a vinheta do Nelson Mota que a Globo toca todo ano, mas a 98-99 de Humberto Gessinger.

Paz em 2009.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Enchentes em Ururaí: O desabafo de um cidadão

O professor Sérgio Soares, residente a vida inteira em Ururaí, indignado com o descaso das autoridades em relação a situação em que se encontram os moradores de seu bairro, pede espaço aqui para divulgar uma carta aberta à sociedade:

"Queridos Amigos...

Uma vez que estou literalmente dentro d'água e aguado nessa situação, conto com algumas respostas e quem sabe soluções. Conto com algumas respostas.

Um forte abraço,

Sérgio Soares*


Àqueles que ainda acreditam em dignidade.

Nesses dias que seguem ao desespero e a força da natureza, tenho estado em estranho desconforto diante da espécie humana. Sinto-me violado nos direitos ditos fundamentais pela constituição e, em seguida abandonado por aqueles que deveriam me garantir esses direitos.
Em menos de dois anos vejo parte da minha vida e de boa parte da população sendo levada pelas águas. Sempre vivi nessa região e ao longo desses anos vejo a força da água cada vez maior. As casas, até então distantes do poder do rio e protegendo-nos das águas de cima, tem sido tomada pelas águas sujas de baixo que invadindo as ruas e quintais e penetrando por nossas portas, janelas e derrubando nossas paredes e levando o pouco que podemos ter com o fruto do nosso trabalho. Mas essa força raivosa das águas tem um motivo: a ganância humana. Fazendeiros e usineiros ocupam impiedosamente as margens do rio, desviam saídas, aterram brej os, constroem diques que impedem que as águas se espalhem e não arrastem nossas vidas.
De um lado a boa fé humana e aqueles que se dispõem de alguma forma em ajudar e de outro o povo que mesmo necessitado insiste em levar vantagem. Precisam sim, não estou negando a necessidade daqueles que perderam tudo ou quase tudo. Mas deve existir dignidade, mesmo nesses momentos de angústia e de desespero. Falo em nome da boa fé que precisamos aprender a cultuar e acima de tudo respeitar.
Sei que a fome e as necessidades vitais não esperam. Que a saúde deve ser preservada e é dever público oferecer condições para tais. Não é um serviço gratuito como fazem parecer. Pagamos impostos e esses devem ser revertidos para o bom funcionamento das maquinas públicas como saúde, serviços sociais, saneamento básico e acima de tudo a garantia de um gestor que faça a máquina funcionar. Mas como manter viva a fà © nessa cidade de desilusão política, onde só recebemos notícias de corrupção e desvio de verbas públicas.
Algumas perguntas me martelam e insistem em sangrar. Onde está o prefeito de nossa cidade que não se manifesta? Onde está o IBAMA que persegue os pescadores e seus pequenos peixes (nesses dias corretamente), pobres senhoras com seus papagaios e não enxerga a construção de um dique em área de escoadouro de água do rio Ururaí? Onde está o meu direito de cidadão que não pode vir a tona sem que eu vá à justiça para buscá-lo? ... a mesma justiça que garante ao fazendeiro uma maior valia para seus bois, indiferentes às nossas vidas que pouco a pouco vai sendo levada pelas águas, com toda sorte de destruição e doenças que podem aparecer a qualquer instante.
Em menos de dois anos tudo isso. Com uma diferença é claro. Na vez anterior a mesma água não subiu no asfal to, não impediu que os caminhões com alimentos para a população urbana chegasse ao seu destino. Sofri o mesmo impacto, fiquei dois meses fora de casa, com meus vizinhos espalhados em vários lugares e a lama habitando a minha casa. Não fui ressarcido em nada, mas o boi do senhor fazendeiro manteve-se protegido e com certeza rendeu bons lucros. Tive que trocar porta, refazer paredes, pintar casa e refazer uma etapa da minha vida. Agora, mais uma vez, a história se repete e todo o país ouve a minha má sorte. Mais uma vez não serei ressarcido e terei que gastar minhas economias (quase nenhuma na verdade) com limpeza, aluguel, pedreiro e sabe-se Deus mais o que. Talvez eu receba um tapinha no ombro e me digam que tudo está bem. Que não perdi nada material e que eu preciso mudar de casa, que eu preciso mudar de bairro e....
Mas minha vida está aqui, meus amigos estão aqui, minha família está aqui. Não quero sair daqui, gost aria que fôssemos tratados com dignidade, que fizessem valer os impostos por nós pagos. Só queria dignidade e respeito daqueles que ocupam lugares de responsabilidade e não a possuem para defender os nossos direitos.

Sérgio Soares
Ururaí, 05 de dezembro de 2008."

*Sérgio Soares é professor de biologia da rede estadual, leciona no Colégio Estadual Dom Otaviano Costa, em Ururaí, e é também professor do Instituto Dom Bosco Salesiano, em Campos. Esta carta foi enviada ao jornal O Globo, para publicação.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Campanha de doação para os desabrigados de Ururaí e Lagoa de Cima

A ASCOM (Assessoria de Comunicação da UENF), avisa que está montado um posto de coleta de roupas e alimentos para as vítimas das enchentes em Ururaí e Lagoa de Cima, na direção do CBB, até a próxima sexta, 05/12.
Localização do CBB abaixo, assinalado em vermelho.
Agradecimentos a George Gomes Coutinho, do blog Outros Campos, pela notícia.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Aulas suspensas no Dom Otaviano de Albuquerque

A água já invadiu o Colégio Estadual Dom Otaviano de Albuquerque, em Ururaí. As aulas foram suspensas, até mesmo porque os alunos não têm condições psicológicas e nem materiais para realizarem suas provas. Os professores se reunirão hoje na casa de um deles para decidir o final do ano letivo.

Entre o rio Ururaí e a lagoa de Cima

O Colégio Estadual Dom Otaviano de Albuquerque começa a receber as famílias desabrigadas pelas cheias do rio Ururaí e da lagoa de Cima. Os professores estão acelerando o processo de avaliação do final do ano letivo para que a escola possa receber mais desabrigados dessa enchente que, segundo alguns moradores, é a pior dos últimos anos.

Já é possível ver enfileirados à beira da BR-101 vários móveis e pertences dos desabrigados, como armários, geladeiras e fogões. Até mesmo a escola, que é o porto-seguro dos moradores de Ururaí, encontra-se ilhada e a qualquer momento a água pode adentrar seu pátio.

O secretário estadual de saúde e defesa civil, Sérgio Côrtes, decretou estado de emergência no município. Enquanto isso, os meios de comunicação não dão nota da atuação do prefeito Alexandre Mocaiber no processo. Li pelos blogs que ele está acamado.
Pobre do campista: tem as águas de seu principal rio envenenadas, noutro canto a enchente destrói a vida material e a memória afetiva de várias famílias, e no centro de tudo isso temos um governo omisso, talvez o mais omisso de toda a nossa história.

domingo, 9 de novembro de 2008

Vestibular UFRJ: Todo mundo quer fazer Engenharia, Medicina, Direito e... História(?)!

Neste momento estão sendo realizadas as provas da UFRJ. São 51.553 candidatos inscritos para concorrer a 7.682 vagas.
A grande novidade deste ano são os cursos novos e o aumento de vagas, de acordo com o plano de expansão do Ensino Superior, comandado pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad.
Com a expansão para o interior do estado, em Macaé foram criados os os cursos de enfermagem e obstetrícia, medicina e o de nutrição, sendo a medicina de Macaé o mais concorrido de todo o vestibular da UFRJ, com a média de 34,97 candidatos para cada uma das 30 vagas oferecidas. Na capital foram também criados os cursos de terapia ocupacional e saúde coletiva, ainda na área da saúde. Nas exatas houve a criação do curso de bacharelado em ciências da matemática e da terra; e na área de humanas foram criados os cursos de comunicação visual design, história da arte, licenciatura em filosofia, licenciatura em ciências sociais e relações internacionais
Houve também o aumento de vagas em alguns cursos já existentes, como o de engenharia (com mais 80 vagas) e os de ciências biológicas (mais 60 vagas para biofísica em Xerém e mais 42 para a modalidade médica). Entre as licenciaturas, priorizou-se a biologia, com mais 32 vagas no Rio e mais 10 em Macaé.
Por mais que o curso de medicina de Macaé tenha sido o mais concorrido, não foi o mais procurado. A relação dos cursos mais procurados, de acordo com o total bruto de candidatos, considerando os de primeira, segunda e terceira opção pelo curso, temos:
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Como é possível observar, o curso de história foi o 5º mais procurado, ficando atrás apenas das carreiras mais tradicionais (engenharia, medicina e direito) e do curso de relações internacionais. É claro que, a maioria dos candidatos se inscreveu em história como segunda ou terceira opção., mas de qualquer forma, representa um indicador interessante. Se formos analisar pela primeira opção de curso dos candidatos, teremos o seguinte:

Clique na imagem para ampliar
Podemos ver que mesmo assim, o curso de história da UFRJ continua bastante procurado, em 11º lugar, na frente de cursos e carreiras mais promissoras, como ciências da computação, arquitetura e química industrial.
O que posso concluir de tudo isso? Que embora pareça haver uma questão ideológica e cultural nas escolhas, o que estes dados mostram são justamente o oposto. Os jovens estão fazendo suas escolhas de forma cada vez mais racional: o que importa é o número de vagas e não apenas a "vocação". Os cursos que aparecem entre os primeiros em procura são aqueles que possuem a menor relação candidato/vaga. Ou seja, o que faz 1.062 jovens terem como primeira opção o curso de história talvez seja muito por conta de suas 180 vagas, assim como a engenharia, com suas 870 vagas, ou o direito, com suas 510. A exceção é a medicina, que tanto como opção dos alunos como relação candidato vaga, ocupam os primeiros lugares da lista, reforçando a tradição cultural.
Dessa forma, temos os cursos "mais fáceis" de passar sendo os mais procurados, em seguida os "mais difíceis", e por último, os considerados "menos interessantes", como os bacharelados em música (muitas opções sem nenhum candidato inscrito, como cravo, contrabaixo, fagote, harpa - que deixarão 31 vagas ociosas, mais do que a medicina de Macaé), faculdade de escultura, faculdade de gravura, letras / português - hebraico (existem várias outras línguas), e várias licenciaturas.
Em Campos, as provas foram realizadas no ISEPAM, onde quase a totalidade dos candidatos nunca colocou os pés.
De qualquer jeito, boa sorte aos candidatos. Boa sorte na vida.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Equipe de transição

Foi anunciada hoje a equipe da prefeita eleita de Campos, Rosinha Garotinho, que irá analisar pontos estratégicos da atual administração, principalmente a situação das contas públicas, a situação jurídica e a articulação junto a câmara de vereadores.
A educação ficará a cargo da professora Maria Auxiliadora Freitas.