sexta-feira, 25 de abril de 2008

Chega de Palhaçada

Ia eu chegando hoje a escola, pensando nas aulas que daria, de que forma eu poderia, ou não poderia, falar de uma manifestação pública, de cidadãos livres, numa praça pública (espaço político por excelência), quando me aproximo dos porteiros e ouço a conversa a respeito da recondução do prefeito afastado ao cargo. Diziam:
- É um absurdo. Ele voltou né, professor?
- Pois é, professor, se a gente tá com nome no SERASA, a gente não pode nem comprar nada... que dirá ser prefeito... ele tá com os bens retidos pela justiça mas está na prefeitura, é uma vergonha.
- É, estamos indignados.
Pensei: Esta é a hora então de convidá-los para a manifestação. O problema era que a aula iria começar em 10 minutos e eu deveria levar um certo tempo explicando a natureza do evento, bater um papo, recordar o histórico político da cidade nos últimos 20 anos, etc... Decidi começar assim mesmo.
- Bom, já que o assunto é esse, e vocês estão indignados, vai haver amanhã uma manifesta...
- Ah, já estamos sabendo! É na praça né? Tem que fazer isso mesmo! Tem que fazer também no fórum, porque é um absurdo um cara desses voltar pra prefeitura!
Pois bem. Fiquei impressionado com o poder que pode alcançar uma manifestação dessa natureza, divulgada por meios alternativos, ganhando os jornais em alguns dias e, em menos de uma semana estar circulando pela cidade.
Chegando à sala de aula, os alunos perguntam:
- Professor, e a parada da manifestação, vai ter mesmo? Pô, tem que zuar essa parada mesmo! Minha mãe tá animada, ela é professora também, já espalhou pelo prédio inteiro, colou aquela parada que tava na internet até no corredor lá do prédio! Até na loja que a gente foi, no Shopping, ela convidou o carinha lá, que tava vendendo, pra participar da parada!
Desse modo então, expliquei do que se tratava, em cinco minutos, e, em seguida, iniciei a aula sobre a crise do colonialismo e o processo de independência do Brasil.
Na hora do intervalo, uma professora, de química, tinha o jornal "O Diário" nas mãos e me mostrava:
- Olha, que absurdo! Que justiça é essa que nós temos?
Tomei-lhe o jornal emprestado e lá estava, no Caderno D, e não no caderno de política, a logomarca da manifestação e um box consideravelmente grande, contendo uma mistura do texto do jornal com o texto convocatório do evento.
Pois é, agora temos uma manifestação na rua.
Vamos ver no que dá.
Amanhã teremos a cobertura aqui.

Um comentário:

Janah Lourenzo disse...

Olá Professsor!!

prtendo estar lá amanhã...até encontrei um amigo meu que pensei q fizesse malabares.. mas ele cospe fogo.. mas de qq forma ele vai tha la. se precisarem de algo ele com certeza vai ajudar!!


e que seja um sucesso a manifestação!!

ate ´lá!