quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Feliz dia do professor

Na TV, outro dia, vi a propaganda do MEC sobre a importância do professor no desenvolvimento dos países.

Fiquei emocionado com essa propaganda. Mas triste em perceber que, mesmo sendo o profissional central no desenvolvimento da democracia e consequentemente, no desenvolvimento econômico e humano, o professor, em vários países do mundo, inclusive nos desenvolvidos, ainda é um profissional muito desvalorizado financeiramente, profissionalmente... moralmente.
E diante disso me preocupo com as futuras gerações de professores. Quem estará disposto a assumir essa tarefa?
Fiz essa escolha nos anos 90, quando ainda havia um resquício de ideologia no ar. Hoje são poucos os jovens interessados pelo magistério, pela transformação social através da educação. É compreensível e preocupante.
Temos um grande desafio nessa virada de milênio. A informação, tão cara em outros tempos, quando a tínhamos que buscar em enciclopédias, agora toma de assalto nossos jovens incautos, através dos infinitos canais de TV, da internet (seja pelo celular, notebook com rede wireless, em casa ou mesmo na lan-house das esquinas da periferia). Os professores não são mais os oráculos de outrora. O saber de sua disciplina era sua arma de defesa perante a sociedade e os alunos. o professor era aquele que "sabia". Hoje, esse "saber" é relativo. Os "conteúdos" que sempre "ensinamos", se não tiverem algum significado, alguma utilidade prática perceptível pelos alunos, não se transformam em conhecimento, e sim num mero engodo burocrático, em troca de uma nota.
Nosso desafio hoje é contribuir para a construção do conhecimento. É assistir com eles uma matéria do Jornal Nacional via youtube, um documentário, e, em seguida, debater um texto... tudo em aproximadamente 50 minutos. Ufa! Não é fácil. Ainda mais quando se tem que trabalhar em cinco escolas diferentes... definitivamente, não dá. E por isso mesmo é um desafio. Os professores de história da educação básica não formam historiadores, mas cidadãos. Pouco me importa se meus alunos sabem quem foi Martim Afonso de Souza ou quantas foram as capitanias hereditárias... mas sim que tenham a dimensão da questão agrária no Brasil, e da profundidade de suas raízes históricas. Da distribuição em sesmarias à lei de terras de 1850 é um salto de séculos, mas apontando para uma mesma questão, que passa pela guerra de Canudos, do Contestado, pelo MST até o assassinato da Irmã Dorothy Stang e a questão ambiental, assim também como a destruição dos laranjais da Cutrale na semana passada.
Precisamos enfrentar estes desafios, precisamos estar abertos para os questionamentos, precisamos questionar nossas práticas e encará-las como exercício intelectual, na construção do conhecimento. Não somos meros reprodutores, mas sim construtores do saber. Acredito que a partir daí avançaremos na nossa valorização, mostrando que trazemos saberes específicos de nossa profissão, que existe um terreno onde nós, e apenas nós, dominamos.

Feliz dia dos professores a todos.

Um comentário:

Feh Nuffer disse...

Qualquer coisa que uma pessoa for fazer, precisa fazer é valer a pena. Sentir que aquilo é algo que você ama, porque quando você faz algo que lhe agrada, por piores que sejam as condições, a dor que estas provocam é menor, pois a recompensa é a satisfação de chegar em casa com cara de 'missão cumprida, fiz o que queria'.
Acho que é isso, fessor xD

E jura que você não se importa que eu não saiba o que são Capitanias Hereditárias? Eba *-*

Fernanda Nuffer